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Marca: o primeiro patrimônio de um negócio

Empreender envolve risco, pois o empresário investe dinheiro, tempo e energia para transformar uma ideia em realidade. Coloca nesse projeto tudo o que construiu: utiliza uma reserva financeira, usa uma herança ou compromete anos de planejamento. Depois do esforço, existe uma etapa fundamental que ainda é frequentemente deixada para depois: garantir que a marca escolhida realmente pertence à empresa.

Não é incomum que um empreendedor passe anos construindo um negócio, criando identidade visual, fazendo investimentos em comunicação, colocando produtos no mercado e conquistando clientes para, em determinado momento, receber uma notificação extrajudicial ou até uma citação judicial informando que aquela marca já possui um dono. Quando isso acontece, o impacto pode prejudicar todo o investimento, desde a concepção da ideia.

Além de precisar abandonar um nome que já começou a ganhar reconhecimento, o empresário pode precisar todos os materiais de comunicação, dentre elas embalagem, fachada, redes sociais e toda uma estratégia construída em torno daquela identidade. Um investimento que deveria fortalecer o negócio acaba se transformando em um prejuízo que poderia ter sido evitado.

Esse cenário revela um problema de cultura empreendedora: enxergar a marca apenas como um nome ou um elemento visual, quando ela é um dos principais ativos de um negócio. Antes do consumidor conhecer o produto ou serviço ou criar uma relação com uma empresa, ele entra em contato com uma marca. Ela representa a promessa, constrói percepção, diferencia uma empresa da concorrência e acumula valor ao longo do tempo.

Por isso, escolher uma marca não deveria ser uma decisão baseada apenas em criatividade ou preferência pessoal. Antes de explorar comercialmente um nome, é essencial verificar se existe algum conflito no mesmo segmento e se há possibilidade de registro. A pesquisa e o registro de marca são medidas de proteção para o patrimônio de uma empresa.

Mas isso não se resume a pequenas empresas. Até grandes organizações enfrentam desafios relacionados à propriedade intelectual. Recentemente, no setor automotivo, a Kia entrou em uma disputa envolvendo nomes de modelos elétricos que já possuíam registros no Brasil. Os nomes EV2 e EV3, associados à montadora sul-coreana, geraram um conflito com a E-Motors/JMEV, que precisou criar novos nomes para seus modelos. Isso demonstra que uma escolha de nomenclatura precisa passar por uma análise cuidadosa antes de chegar ao mercado.

A contratação de um profissional especializado para realizar a pesquisa e conduzir o registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) não deve ser vista como um custo, mas como uma proteção estratégica.

Uma empresa pode mudar de endereço, ampliar seus produtos ou transformar sua estratégia. Mas perder a própria marca depois de investir nela pode significar perder uma parte importante da história que começou a ser construída.